O deputado Rubens Otoni(PT-GO), avalia que o resultado eleitoral do PT no Estado coloca o partido como “grande protagonista” do processo político local e nacional, com vistas às articulações para 2010.
Com base política em Anápolis, Otoni foi um dos principais articuladores da campanha vitoriosa do petista Antônio Gomide, que se elegeu na cidade com 76% dos votos válidos – o maior percentual de todo o país no segundo turno.
No Estado, o PT teve um crescimento de 60% no número de prefeituras e estará presente nas administrações de 105 das 246 cidades do Estado, entre elas a capital Goiânia, onde conquistou a vice-prefeitura em aliança com o PMDB.
Leia abaixo a íntegra da entrevista de Otoni ao Portal do PT:
Gostaria que o sr. fizesse uma análise da vitória do PT em Anápolis e do desempenho do partido no Estado.
O PT teve uma vitória importante no processo eleitoral no Estado de Goiás, na medida em que conseguiu um crescimento de 60% das suas prefeituras – tínhamos oito, fomos para 13. Além disso, houve um crescimento político significativo, já que fez o vice-prefeito de Goiânia e o prefeito de Anápolis. Com este resultado, o PT em Goiás se credencia para estar no centro das decisões políticas do Estado no próximo período, com certeza sendo um protagonista da construção de uma grande aliança vinculada ao projeto nacional e coordenada pelo presidente Lula.
Quais foram as razões que levaram a esse resultado?
O PT de Goiás já tem, de algum tempo, um trabalho direcionado para sua organização no interior. Em determinada época, o PT era visto como partido apenas da capital e das cidades maiores. Mas nós conseguimos avançar para o interior, com o partido organizado em todas as cidades do Estado e tivemos uma participação expressiva nestas eleições. Com isso, aumentamos o número de prefeitos e também as alianças. O PT em Goiás sai destas eleições participando de administrações em 105 dos 246 municípios do Estado. Em Anápolis, a vitória mais importante foi fruto de um trabalho de acúmulo de anos e anos. O PT em Anápolis disputa a prefeitura desde a fundação do partido, com candidaturas próprias. E de lá pra cá o PT só foi crescendo a sua votação. Agora ganhamos com uma votação expressiva no segundo turno, a mais expressiva do Brasil, com 76% dos votos válidos.
Mas no início da campanha as pesquisas mostram um cenário diferente...
Foi uma eleição muito disputada. No primeiro turno tivemos sete candidatos a prefeito e conseguimos passar para o segundo com 43%, embora no início o Antônio Gomide aparecesse em sexto lugar, com apenas 3%. Mas fomos acumulando. Foi uma campanha de rua. Não foi feito nenhum comício, nem no primeiro nem no segundo turno. Só caminhadas, visitas, reuniões e, no final, algumas carreatas – além dos programas de rádio e televisão.
A que o sr. atribui a porcentagem de votação do Antônio Gomide?
É o somatório de muitas coisas: um partido organizado, que acumulou forças durante várias eleições; o apoio e o respaldo do governo federal e o apoio do presidente Lula; mas o ponto mais significativo foi o próprio preparo do candidato. A cidade percebeu que ele era o mais preparado. Ele é um vereador de terceiro mandato, conhece a cidade como ninguém, discute, debate, está inserido no dia-a-dia da comunidade, então as pessoas perceberam que ele realmente era o mais preparado, com uma proposta de administração séria, planejada que resgatasse o tempo perdido nas últimas gestões.
Qual o seu papel nesse processo?
O meu papel foi de articulação política e de mostrar à cidade que eu estava mais do que nunca presente na campanha, porque havia uma expectativa muito grande para que eu viesse a ser o candidato. Como eu não saí, houve um primeiro momento em que as pessoas diziam: “mas tinha que ser você, é a hora de o PT ganhar com você”. E nós começamos a mostrar que eu tinha um papel importante como deputado federal, para que Anápolis não perdesse sua representação política institucional e, mais do que isso, para tivessem um prefeito sintonizado com as nossas propostas e ainda com um deputado federal que pudesse fazer essa ligação do município com o governo. Isso contou muito.
O sr. pretende disputar o governo do Estado em 2010?
A votação do partido no Estado, especialmente a eleição do prefeito em Anápolis, credencia o PT em Goiás a ser um grande protagonista na articulação política para 2010. Nós temos consciência de que devemos ter muita responsabilidade. Não estamos naquela fase de lançar candidato só por lançar. Temos o compromisso de contribuir na continuidade do projeto coordenado pelo presidente Lula, que passa por fazer o sucessor dele. Então nossa preocupação em Goiás é construir uma grande aliança que esteja sintonizada com o presidente Lula e colabore na eleição do seu sucessor, evidentemente fazendo também em Goiás um governador que tenha compromisso com esse projeto. Agora, o nome tem de sair entre os partidos aliados e tem de ser capaz de aglutinar o máximo possível de forças. Nesse momento, acredito que o PT tem condição de participar de igual para igual nessa discussão e apresentar nomes como possibilidade para formar essa chapa.
Como integrante do GTE Nacional, que análise o sr. faz sobre o desempenho do PT no Brasil?
Tivemos um resultado positivo para o PT e para os aliados do presidente Lula. É claro que nós sempre gostaríamos de ganhar em mais lugares, mas o resultado foi significativo, o PT teve um crescimento importante tanto no primeiro como no segundo turno, com votações expressivas, ganhou mais prefeituras e pôde ver que os aliados do governo federal também cresceram. A grande derrota dessa eleição foi para aqueles que fazem oposição ao nosso projeto nacional, que viram suas forças diminuídas na representação política dos municípios.
(Portal do PT)
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